Documentário
Livro
Álbum | Vinil
Remix
Da Lata 30 anos (1995-2025)
por Charles Gavin

Fernanda Abreu celebra a longevidade do álbum Da Lata, lançado em 1995, com produção de documentário, livro, remix e relançamento em vinil.

“Quando quis criar um disco que incorporasse o sentimento brasileiro, surgiu a ideia do batuque da lata. O tamborim e o pandeiro representam o samba como cultura oficial; a lata simboliza o mesmo batuque, porém no universo desigual do Brasil. A lata é a alternativa ao caminho oficial”, declarou Fernanda Abreu, em 17 de novembro de 1995, no jornal O Globo, data em que a turnê de seu mais recente e conceitual trabalho — lançado em julho daquele ano, o álbum Da Lata — chegava ao Rio de Janeiro. Nessa reflexão, Fernanda contextualizava o estágio artístico de seu trabalho, resultado da mistura daquela batucada hipnótica e irresistível com elementos da música pop eletrônica, ponto forte do disco e do show.

Assertivas, as resenhas das apresentações, que já haviam passado por outras regiões do país, foram amplamente positivas: “Fernanda transforma a lata num mito de modernidade”, “O show é explosivamente dançante” e ainda “As letras de A Lata, Veneno da Lata e Brasil é país do suingue celebram a alegria e musicalidade do Rio, projetando isso ao nível nacional”.

De fato, as letras das canções, apoiadas na fartura de “grooves”, abordavam questões importantes da ex-capital do Brasil, — mas não apenas dela, apontavam temas pertinentes a outras metrópoles, nacionais e do terceiro mundo, como ilustra um trecho do poema do parceiro Chacal, na faixa “A Lata”, escrito assim no encarte do disco:

ComEÇOu A batUCAdA
e O soM SeCO desSA laTA
eRa uM fuNK Lá nA lapA
ErA O waILErs na JamaICA
uM PAgoDE na NigÉRIa
eRa mORRo eM pÉ de GuERra

Meses antes, a crítica especializada já havia elogiado Da Lata pelo seu “sound design”, pelo cruzamento de gêneros musicais e também pelo elenco estelar de parceiros e colaboradores (Felipe Abreu, Herbert Vianna, Hermano Vianna, Fausto Fawcett, Laufer, Chacal, Luiz Stein, DJ Memê, Liminha e Will Womat), além, é claro, de destacar o olhar clínico de Fernanda, exaltando a efervescência cultural suburbana daquele momento. “Senti necessidade de uma identidade cultural. O mundo está cada vez mais global, mas os grupos sociais estão impondo cada vez mais seus sotaques. A lata me veio na cabeça como referência do imaginário brasileiro. O som percussivo e áspero da lata é tipicamente nacional”, explicou a moça em entrevista de divulgação. Parceiro e amigo, Herbert
Vianna, presente nos vocais da faixa Veneno da Lata, acrescentou: “ela mergulhou no conhecimento do morro, da linguagem de rua, do balanço natural do que estava acontecendo”.

O mote em questão — a lata, este artefato extremamente útil e versátil, feito de metal pouco valioso para alguns, mas indispensável para a sobrevivência de centenas de milhares de pessoas — atravessa o nosso consciente coletivo há décadas, carimbando-o com simbolismos múltiplos, especialmente naquele que chamamos de “Brasil Real”.

Em 1950, o jornalista e escritor pernambucano Nelson Rodrigues cunhou o termo “complexo de vira-lata” ao analisar as conversas que ouviu nas ruas e botequins do Rio, após a inesperada derrota do Brasil frente ao Uruguai na final da Copa do Mundo de Futebol disputada no Maracanã. Dois anos depois, em 1952, a cantora Marlene, estrela da Era de Ouro do Rádio, fez sucesso com a marcha carnavalesca “Lata d’água”, composição de Luís Antônio e Jota Júnior, inspirada em Maria Mercedes Dantas — a passista que se tornou celebridade ao sambar com uma lata na cabeça, ilustrando as miseráveis condições da vida nos morros e nas favelas. Mas adiante, em 1982, no álbum Um Banda UM, o imortal Gilberto Gil filosofou sobre a matéria na canção Metáfora, dizendo: “Uma lata existe para conter algo/ Mas quando o poeta diz “lata”/ Pode estar querendo dizer o incontível”.

Há de se considerar, também, um evento amplamente conhecido, ocorrido em setembro de 1987, quando tripulantes da Solana Star atiraram ao mar parte de um carregamento de duas toneladas de maconha, oriundas da Tailândia, quando a força-tarefa da Polícia Federal se aproximou da embarcação, que navegava a cerca de 300 km da costa brasileira. Dias depois, as latas contendo a droga chegaram às praias do Rio de Janeiro, de São Paulo e de outras regiões – daí a origem do termo “da lata”, adotado por comunidades de jovens, atribuindo à gíria o sentido de algo bom, de qualidade superior, especial e até proibido.

Deliberadamente, Fernanda Abreu abordou temas sensíveis, culturais e sociais, sob outros ângulos, ressignificando ideias e situações comumente associadas à miséria, pobreza, carência, precariedade e até à falta de amor-próprio do brasileiro, nomeada por Nelson Rodrigues. Assim como a carioca Nara Leão, que abraçou e redimensionou a música do morro, colocando-a nos palcos da zona sul do Rio, Fernanda Abreu tomou para si o batuque reinventado no subúrbio e na favela carioca, promovendo seu diálogo com “samplers”, “drum machines”, “sequencers” e demais avanços da tecnologia de ponta que haviam surgido. E na entrevista de divulgação da turnê, explicou: “Quando falo de “dance music”, eu falo de suingue. Não me interessava fazer um samba com sonoridade dos anos 60. O batuque digital é fundamental. Eu reprocesso a lata porque o Rio já nasceu misturado. Samba funk não é samba nem funk, já é outra coisa” e acrescentou: “o show é a tradução da atmosfera do disco”.

A linha estética do projeto visual na totalidade — capa e encarte do CD, fotos de divulgação, cenário e figurino —, alinhada à sonoridade e à temática do álbum e do show, amarraram o conceito da empreitada. A garota carioca suingue sangue bom subia ao palco num cenário inteiro confeccionado a partir de uma tonelada de sucata, adquirida em ferro-velho, assim como o material do manto que trajava, feito de lata e adereços de metal, pesando 50 kg, detalhadamente retratado na
foto de capa do disco. A turnê consolidaria, de vez, o status do trabalho da cantora, compositora e “front woman” Fernanda Abreu.

Concebido por ela, produzido por Liminha e Will Womat, do britânico Soul II Soul, “Da Lata” emplacaria quatro singles no rádio, ganharia videoclipes bem produzidos com coreografias da amiga Deborah Colker, receberia o prêmio disco de ouro da ABPD pela venda superior a cem mil cópias e seria lançado no mercado europeu, internacionalizando o trabalho da moça. Ainda como bônus o single “Babilônia Rock”, versão dançante da faixa original de Robson Jorge, produzida pelo DJ Memê, que fazia parte da trilha sonora de um seriado da TV Globo, acabou sendo incluída no disco após o sucesso nas rádios.

Da Lata ascenderia à nobre categoria de álbum clássico — termo que define uma obra influente, coesa, conceitual, lírica e duradoura — permanecendo relevante após seu lançamento, transpassando modas e tendências da indústria cultural e tornando-se um autêntico clássico do pop brasileiro, com altíssimo valor de replay.

Em 2025, a multifacetada Fernanda Abreu reafirma-se, mais uma vez, como ótima gestora de sua obra, celebrando os trinta anos de Da Lata, álbum ambicioso e atemporal. “Essa é a nossa história, a gente tentando emplacar nossas ideias e os caras tentando entender”, pondera. A comemoração se materializa em diversos projetos a saber:
– Documentário realizado pela produtora Garota Sangue Bom e coproduzido pela TV Zero, dirigido por Paulo Severo, com roteiro deste e de Fernanda, que disseca e mostra os bastidores do processo criativo de Da Lata através do impressionante acervo de imagens registradas em foto e vídeo da pré-produção e gravação no Rio de Janeiro, da mixagem em Londres e das apresentações da turnê. Entrevistas atuais somam-se a tudo isso, analisando conquistas e revelando adversidades que Fernanda teve que enfrentar – a visão da gravadora em relação ao projeto artístico (“agora que a dance music está pegando no Brasil, você vem com um disco de samba”, disse o presidente da EMI), o convívio com um meio majoritariamente masculino, o “record business”, e suas vicissitudes, a apreensão com o estouro do orçamento da produção e as incertezas que surgem quando se faz algo inédito, fora da curva.

– Relançamento do álbum Da Lata em vinil (LP para os mais íntimos), o suporte físico que, na prática, importa hoje, distribuído pela Universal Music.

– O hit Garota Sangue Bom, o 3º single do disco, com a participação de Fausto Fawcett, “backing vocal”, tida como extensão da antológica Rio 40 Graus, faixa do álbum Sla 2 Be Sample (1992), ganha um remix inédito, assinado por Bruna Ferreira e Lívia Lanzoni, DJs e produtoras de São Paulo que formam o duo From House to Disco.

– Lançamento do livro Da Lata – 30 anos, editado pela Cobogó e coeditado pela Garota Sangue Bom, organizado por Fernanda e Luiz Stein (parceiro e ex-marido), reunindo textos de colaboradores, matérias publicadas, fotos conhecidas e inéditas do projeto visual do disco, da turnê e do figurino,
além de cartazes e itens da sua memorabília. A feitura do livro contou com a colaboração do fã-clube de Fernanda, que, ao longo dos anos, guarda itens valiosos de sua trajetória (ingressos, flyers etc.).

Há mais de duas décadas, trabalho com pesquisa e resgate de acervos e afirmo que raríssimas vezes encontrei alguém no mercado fonográfico nacional — desde gravadoras até artistas — com o mesmo cuidado e dedicação com sua obra como Fernanda tem demonstrado. Interpelada por este que vos escreve, para explicar a origem de tal atitude, incomum em nosso meio, ela desconversa: “Sou virginiana, hahaha…”. Mas depois, oferece outras pistas: “Isso é um misto de organização minha e de amigos, na época, com a visão de guardar o material todo. Não sei dizer se eu tinha na cabeça a ideia de formar um legado. Acho que foi algo meio intuitivo mesmo”.

Bem, pode ter sido intuição. Mas evidentemente não é só isso. Fernanda Abreu, uma das pessoas mais organizadas e profissionais de nosso meio, vislumbrou, ao longo do tempo, o que o futuro lhe reservaria, se preparou e os 35 anos de carreira solo, comemora sua longevidade como artista brasileira, que se tornou uma das principais vozes femininas de sua geração, potente e engajada. Sua obra discográfica é o reflexo desse comprometimento, expresso nos nove álbuns gravados ao longo de sua jornada, retratando, em canções, a beleza e o caos da vida cotidiana nas metrópoles, especialmente do Rio de Janeiro.

O amor pela cidade onde nasceu, vive e se identifica plenamente, rendeu-lhe um título que ostenta com orgulho, relatado por ela mesma no documentário Da Lata – 30 anos: “desde 1995 até hoje, qualquer pessoa que vai me apresentar, em qualquer evento, seja uma cerimônia, seja um show, em qualquer lugar, diz: “com vocês, a garota carioca suingue sangue bom – Fernanda Abreu!!!”.



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1  Garota Sangue Bom – From House To Disco Remix – Radio Edit
2  Garota Sangue Bom – From House To Disco Remix – Extended
Making Of

DOCUMENTÁRIO – FERNANDA ABREU - DA LATA 30 ANOS

Direção e Edição: Paulo Severo
Roteiro: Paulo Severo e Fernanda Abreu
Direção de Arte: Luiz Stein
Roteiro das Entrevistas: Silvio Essinger
Trilha Sonora e Direção De Som: Tuto Ferraz
Produção Executiva: Garota Sangue Bom
Coordenação de Produção: Thais Bernardini
Coordenação de Projeto: Fomentaê
Direção Geral: Fernanda Abreu
Produção e Realização: Garota Sangue Bom Produções Artísticas
Coprodução: Tv Zero
Patrocínio Master: Prefeitura do Rio De Janeiro e Secretaria de Cultura do Rio De Janeiro Apoios: Universal Music e UBC (União Brasileira De Compositores)

Entrevistados (por ordem alfabética):

Bruno Boulay - consultor em indústrias culturais
Chacal- poeta
Charles Gavin - músico e pesquisador
Chico Neves - produtor musical
Claudia Assef - jornalista
Claudia Kopke - figurinista
Daniel Souza - produtor e presidente Ação da Cidadania
Danielle Albuquerque - presidente fã clube oficial
Deborah Colker- coreógrafa
Denise Romano – relações internacionais
DJ MEME - produtor musical e DJ
Fausto Fawcett - escritor e compositor
Felipe Abreu - preparador vocal
Fernando Vidal - guitarrista
Herbert Vianna – cantor e compositor
Hermano Vianna- antropólogo
Ivo Meirelles - cantor e compositor
Jefferson Pazini - vice-presidente fã clube oficial
Jerônimo Machado- produtor executivo
João Augusto - produtor musical e diretor artístico EMI Brasil 1995
José Fortes - empresário
Jovi Joviniano- percussionista e compositor
Lenine – cantor e compositor
Liminha - produtor musical
Luiz Stein - diretor de arte
Marcelo Sebá - produtor executivo e cineasta
Marcos Suzano - percussionista
Paulo Lima – presidente da Universal Music Brasil
Pedro Luís - cantor e compositor
Rafael Mattoso - historiador
Simon Fuller - empresário e produtor
Walter Carvalho - fotógrafo e diretor
Will Mowat - produtor musical

LIVRO – FERNANDA ABREU - DA LATA 30 ANOS / 2025

Direção de Arte eProjeto Gráfico: Luiz Stein
Coordenação Geral: Fernanda Abreu
Editora: Cobogó́
Coeditora: Garota Sangue Bom
Produção Executiva: Garota Sangue Bom
Gráfica: Leograf
Editoração Eletrônica: Fernando Grossman
Produtor Gráfico: Zé Flávio Chaves
Coordenação de Produção: Thais Bernardini
Produzido e Realizado por: Garota Sangue Bom Produçoes Artísticas
Editora: Cobogó
Patrocínio Master: Prefeitura do Rio De Janeiro e Secretaria de Cultura do Rio De Janeiro
Apoios: Universal Music e UBC (União Brasileira De Compositores)

VINIL DA LATA (REEDIÇÃO 2025)

Produção Universal Music

Álbum “Da Lata” original – 1995

Idealizado por: Fernanda Abreu
Produzido por: Liminha (faixas: “Garota Sangue Bom”, “Tudo Vale a Pena”, “Um Dia Não Outro Sim” e “Brasil é o País do Suingue” e “SLA 3”) Will Mowat (faixas: “Veneno da Lata”, “A Tua presença”, “Somos Um” e “Dois”) Chico Neves (faixas: “A Lata” e “SLA 3”) DJ Meme – (faixa: Babilônia Rock) Direção Artística: João Augusto (EMI Brasil)
Coordenação Geral: José Fortes
Gravado nos Estúdios Nas Nuvens e Discover / Rio de Janeiro entre janeiro e março de 1995
Mixado no Soul II Soul Studio em abril de 1995 por” Eugene Ellis, Liminha e Will Mowat
Masterizado por: Ricardo Garcia / Magic Master
Capa/ projeto visual:
Direção de Arte e cenografia: Luiz Stein
Fotos: Walter Carvalho
Figurino: Claudia Kopke

Reedição em vinil 2025

Masterizado por: Ricardo Garcia / Magic Master
Adaptação Gráfica da Capa: Luiz Stein
Tratamento de Imagem: Matheus Meira
Finalização e Coordenação Gráfica: Leka Coutinho/ Estudio 3
Revisão de texto: Luiz Augusto (Revendo Texto)
Gerência de Projeto: Alice Soares
Gerência Comercial: Rafael Felix

REMIX “GAROTA SANGUE BOM” / 2025 (Extended & Radio Edit)

Remix por: From House to Disco
Bateria eletrônica, sintetizadores e baixo: Livia Lanzoni, Bruna Ferreira Vasconcelos
Cordas e teclados: Antônio Dal Bó

COMUNICAÇÃO FERNANDA ABREU - DA LATA 30 ANOS

Coordenação de Comunicação: Thais Bernardini Assessoria de Comunicação: Lupa
Comunicação CEO: Luisi Valadão
Atendimento: Fernanda Miranda
Comunicação Digital: Agência Mena
Comunicação CEO: Rafael Tex

FICHA TÉCNICA COMPLETA

Documentário – Fernanda Abreu - Da Lata 30 Anos

Direção e Edição: Paulo Severo
Roteiro: Paulo Severo e Fernanda Abreu
Direção de Arte: Luiz Stein
Roteiro das Entrevistas: Silvio Essinger
Trilha Sonora e Direção De Som: Tuto Ferraz
Produção Executiva: Garota Sangue Bom
Coordenação de Produção: Thais Bernardini
Coordenação de Projeto: Fomentaê
Direção Geral: Fernanda Abreu

Entrevistados (Por Ordem Alfabética):

Bruno Boulay - Consultor em Indústrias Culturais
Chacal- Poeta
Charles Gavin - Músico e Pesquisador
Chico Neves - Produtor Musical
Claudia Assef - Jornalista
Claudia Kopke - Figurinista
Daniel Souza - Produtor e Presidente Ação da Cidadania
Danielle Albuquerque - Presidente Fã Clube Oficial
Deborah Colker- Coreógrafa
Denise Romano – Relações Internacionais
Dj Meme - Produtor Musical e Dj
Fausto Fawcett - Escritor e Compositor
Felipe Abreu - Preparador Vocal
Fernando Vidal - Guitarrista
Herbert Vianna – Cantor e Compositor
Hermano Vianna- Antropólogo
Ivo Meirelles - Cantor e Compositor
Jefferson Pazini - Vice-Presidente Fã Clube Oficial
Jerônimo Machado- Produtor Executivo
João Augusto - Produtor Musical e Diretor Artístico EMI Brasil 1995
José Fortes - Empresário
Jovi Joviniano- Percussionista e Compositor
Lenine – Cantor e Compositor
Liminha - Produtor Musical
Luiz Stein - Diretor de Arte
Marcelo Sebá - Produtor Executivo e Cineasta
Marcos Suzano - Percussionista
Paulo Lima – Presidente da Universal Music Brasil
Pedro Luís - Cantor e Compositor
Rafael Mattoso - Historiador
Simon Fuller - Empresário e Produtor
Walter Carvalho - Fotógrafo e Diretor
Will Mowat - Produtor Musical

Montagem: Paulo Severo

Diretor de Fotografia: Renato Carlos
Som Direto: Ph Silva e Helio Leite
Colorista: Osmar Junior
Tratamento e Restauração de Áudio: Renan Vasconcelos
Mixagem: Tuto Ferraz e Renan Vasconcelos
Estudio de Mixagem: Estúdio Do Tuto
Mixagem em 5.1/ Atmos: Estúdio Plugin
Consultoria de Edição e Artista de Imagens Geradas por IA: João Velho
Consultoria de Roteiro: Chris Alcazar
Assistente de Produção: Letícia Gomes
Assistente de Direção de Arte: Renato Costa E Yasmin Siqueira
Produtor de Imagem de Arquivo: Antonio Venancio
Assistente de Pesquisa: Bernardo Tavares Rosa
Cinegrafista - Captação Entrevistas São Paulo/Sp e Socorro/Sp: Rafael Piffer
Câmera Adicional (Depoimentos): Camila Mühlenberg
Estudio de Gravação (Depoimentos): Pancadão / Rj
Cenografia Estudio Pancadão: Luiz Stein
Confecção Cenografia (Plotter): Estudio 3
Finalizadora: Thaissa Travassos
Supervisão e Licenciamentos Musicais: Beline Cidral
Assistente de Cor: Tulia Vincentini
Acessibilidade: Bvaz Idiomas
Tradução e Legendas : Bvaz Idiomas
Tradução “Will Mowat”: Monika Pecegueiro Do Amaral

Equipe Garota Sangue Bom

Beline Cidral: Label Manager
Rafael Tex: Marketing Digital
Samuel Cardoso: Redes Sociais
Fefa Peres: Assessoria de Comunicação
Patrícia Silva: Assessoria Administrativa

Equipe Tv Zero

Produtor: Roberto Berliner
Produtores Executivos: Leo Ribeiro, Sabrina Garcia
Coordenação Executiva: Fernanda Calábria
Coordenação de Pós-Produção: Cristina Neves
Diretor de Fotografia: Renato Carlos
Técnico de Som: Ph Silva, Helio Leite
Assistente de Produção Executiva: Henrique Dias
Assistente de Projetos: Mafê Corrêa
Assistente de Pós-Produção: Clarice Nemer
Assistente de Edição: Rodrigo Pastore, Rafael Paiva
Estagiária de Fotografia: Camila Mühlenberg
Departamento Financeiro: Tuca Marques, Michelle Rodrigues, Jéssica Vieira
Auxiliares Administrativos: Marcos Olécio, João Paulo Bezerra De Sousa, Mônica Celia

Equipe Fomentaê

Direção Administrativa: Bruno R. Katzer E Maicon Azeredo
Assistente de Direção Administrativa: Maria Clara Vianna
Coordenação Financeira E Prestação De Contas: Jane Oliveira
Assistente de Coordenação Financeira: Juliana Lucas Fiuza
Assessoria Jurídica: Pedro Genescá (Va)
Design: Gabriela Cima
Assistente Administrativa: Vilmara S. Souza

MÚSICAS LICENCIADAS

"MAIS UMA DE AMOR (GEME GEME)"
Composta por Antonio Pedro, Bernardo Vilhena e Ricardo Barreto
Sob licença de Sony Music Publishing, Copyrights Consultoria
Intepretado por Blitz
Sob licença de Universal Music Brasil

"VOCÊ PRA MIM"

Composta por Fernanda Abreu
Sob licença de Sony Music Publishing
Intepretada por Fernanda Abreu
Sob licença de Universal Music Brasil

"RIO 40 GRAUS"

Composta por Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Carlos Laufer
Sob licença de Garota Sangue Bom, Sony Music Publishing
Intepretada por Fernanda Abreu e Fausto Fawcett
Sob licença de Universal Music Brasil

"A LATA"

Composta por Fernanda Abreu, Marcos Suzano e Chacal
Sob licença de Garota Sangue Bom, Sony Music Publishing
Intepretada por Fernanda Abreu e Chacal
Sob licença de Universal Music Brasil

"VENENO DA LATA"

Composta por Fernanda Abreu e Will Mowat
Sob licença de Garota Sangue Bom, BMG Rights
Intepretada por Fernanda Abreu, Herbert Vianna, Sofia Stein
Sob licença de Universal Music Brasil

"TUDO VALE A PENA"

Composta por Fernanda Abreu e Pedro Luis
Sob licença de Garota Sangue Bom, Warner Chappell
Intepretada por Fernanda Abreu
Sob licença de Universal Music Brasil

"BABILÔNIA ROCK"

Composta por Robson Jorge, Lincoln Olivetti, Guto Graça Mello e Naila Skorpio
Sob licença de Sony Music Publishing, Warner Chappell
Intepretada por Fernanda Abreu e Claudio Zoli
Sob licença de Universal Music Brasil

"ESSE É O LUGAR"

Composta por Fernanda Abreu, Fernando Vidal e Aurelio Dias
Sob licença de Garota Sangue Bom, Sony Music Publishing
Intepretada por Fernanda Abreu
Sob licença de Universal Music Brasil

"BRASIL É O PAÍS DO SUINGUE"

Composta por Fernanda Abreu, Fausto Fawcett, Carlos Laufer e Hermano Vianna
Sob licença de Sony Music Publishing, Warner Chappell
Intepretada por Fernanda Abreu, Claudio Zoli
Sob licença de Universal Music Brasil

"SOMOS UM"

Composta por Mathilda Kovak
Sob licença de Mathilda Kovak
Intepretada por Fernanda Abreu
Sob licença de Universal Music Brasil

"S.L.A 3 (SÃO SEBASTIÃO LEMBRANÇA ÁEREA)"

Composta por Fernanda Abreu, Marcelo Lobato e Chico Neves
Sob licença de Garota Sangue Bom, Sony Music Publishing
Intepretada por Fernanda Abreu
Sob licença de Universal Music Brasil

"UM DIA NÃO OUTRO SIM"

Composta por Fernanda Abreu e Marcelo Lobato
Sob licença de Garota Sangue Bom, Sony Music Publishing
Intepretada por Fernanda Abreu e Daddae Harvey
Sob licença de Universal Music Brasil

"DOIS"

Composta por Fernanda Abreu, Will Mowat e Pedro Luis
Sob licença de Garota Sangue Bom, BMG Rights, Warner Chappell
Intepretada por Fernanda Abreu
Sob licença de Universal Music Brasil

"GAROTA SANGUE BOM"

Composta por Fernanda Abreu e Fausto Fawcett
Sob licença de Garota Sangue Bom, Sony Music Publishing
Interpretada por Fernanda Abreu e Fausto Fawcett
Sob licença de Universal Music Brasil

Trilha Incidental “SAMBINHA”

Composta por Tuto Ferraz e Fernanda Abreu
Sob licença de Grooveria Electro-acústica
Interpretado por Tuto Ferraz e Fernanda Abreu

“FUNK 70”

Composta por Tuto Ferraz
Sob licença de Grooveria Electro-acústica
Interpretado por Tuto Ferraz

“FUNK BROWN”

Composta por Tuto Ferraz
Sob licença de Grooveria Electro-acústica
Interpretado por Tuto Ferraz

“PLANET TUTO”

Composta por Tuto Ferraz
Sob licença de Grooveria Electro-acústica
Interpretado por Tuto Ferraz

“SOUL TO TUTO”

Composta por Tuto Ferraz
Sob licença de Grooveria Electro-acústica
Interpretado por Tuto Ferraz

IMAGENS LICENCIADAS

Créditos por Ordem de Entrada
Clipe “Veneno da Lata” / Fernanda Abreu / 1995
Direção: Luiz Stein / Universal Music
Capa LP “Aventuras da Blitz” / 1982
Projeto Gráfico: A Bela Arte / Foto: Cafi / Universal Music
Fotos Blitz - Guga Melgar
Capa LP “SLA Radical Dance Disco Club” / 1990 - Fernanda Abreu
Projeto Gráfico: Luiz Stein / Fotógrafo: Flavio Colker / Universal Music
Livro “O mundo funk carioca” /1988
Autor: Hermano Vianna /Jorge Zahar Editor Ltda
Designer da capa: Gilvan F. Silva / Foto: Guilherme Bastos
Imagens “Baile da Antiga”, 1995: Acervo Furacão 2000
Imagens “Baile Black”: REPASS Filmes Ltda
Capa LP “SLA 2 – Be Sample” / Fernanda Abreu / 1992
Projeto Gráfico: Luiz Stein / Fotógrafo: Flavio Colker / Universal Music
Clipe “Rio 40º Graus” /Fernanda Abreu /1992
Direção: Luiz Stein / Universal Music
Livro “Cidade Partida”/1994
Autor: Zuenir Ventura / Editora Companhia Das Letras
Designer da Capa: Hélio De Almeida
Programa Roda Viva, 1995, Acervo Tv Cultura
Navio “Solana Star”: Imagens Conteúdo Globo
Foto Latas Maconha - Jorge Marinho - Agência O Globo
Imagens Aéreas - Fotos Praias do Rio: VBC imagens aéreas
Foto Hollywood Rock/1994: Evaldo Luna
Capa LP “Robson Jorge E Lincoln Olivetti” / 1982
Capa: Tuninho De Paula /Foto: Frederico Mendes / Direção De Arte: Vera Roesler /Som Livre
Capa, Contracapa e Contatos Álbum “Da Lata” /Fernanda Abreu /1995
Foto: Walter Carvalho
Projeto Gráfico: Luiz Stein
Fotos Movimento Reage Rio - Marcelo Carnaval e Cezar Loureiro - Agência O Globo
Câmera making of gravação álbum “Da Lata” (Estúdio Nas Nuvens E Discover/Rj) e mixagem (Soul II Soul Studio/Londres) / 1995
Câmera making of sessão foto da capa e câmera making of vídeoclipe “Veneno Da Lata” 1995: Paulo Severo Foto figurino show “Da Lata”: Gabi Carrera
Programa “MTV na Estrada” – "Acervo Abril/Abril Comunicações S.A."
Câmera making of clipe “Brasil É O País Do Suingue” /1996: João Luiz Araújo
Clipe ”Brasil é o País Do Suingue” / Fernanda Abreu/1996
Direção Luiz Stein / Universal Music
Imagens do Desfile Da Escola De Samba Unidos Da Ponte 1997 - Samba Enredo “Da Lata Do Lixo Ao Luxo Da Lata” "Archives concert de Fernanda Abreu du 9 juillet 1997. Montreux Jazz Festival. RTS – Montreux Sounds" Câmeras Show “Da Lata” Canecão/Rj 1995: Paulo Severo, Andréa Zeni, João Luiz Araújo E Gilberto Gouma Cenas show “Amor Geral (A)Live” gravado no Centro Cultural João Nogueira (Imperator) / RJ - 2020
Bateria e Programação Eletrônica: Tuto Ferraz
Baixo: Andre Carneiro
Guitarra: Fernando Vidal
Teclados: Thiago Gomes
Backing Vocal: Alegria Mattos
Bailarina: Victorya Devin
Direção: Paulo Severo
Sob Licença de Garota Sangue Bom Music

Gravação Festa “Brasil é o País do Suingue” - Estudio Nas Nuvens 1995

Alberto Renault
Cecília Spyer
Deborah Colker
DJ Meme
Fausto Fawcett
Felipe Abreu
Herbert Vianna
⁠Laufer
Liminha
Lulu Santos
Marcelo Sebá
Paula Toller
Regina Casé
Renato Muñoz
Sandra Kogut
Will Mowat

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS:

Eduardo Paes - Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro
Secretário de Cultura - Lucas Wosgrau Padilha
Aline Resende, Douglas Resende, Vanessa Leme e time da Secretaria de Cultura do Rio Paulo Lima, Ana Bueno e time Universal Music
Marcelo Castelo Branco, Vanessa Schutt e time UBC
José Fortes e os 4 Produções
Fabio Braga - Acervo 1995/96
Jefferson Pazini e Dani Albuquerque - Acervo Fã Clube
Adriana Rattes - Grupo Estacão
Vilma Lustosa - Festival do Rio
Rômulo Costa e Geisa Costa - Furacão 2000
Aline Gomes - Caliner Gastronomia
Pedrinho Aliperti - Culto
Flavio Datz - La Carioca
"Agradecimento especial do diretor: Helena Carone e Martin Gardiner." Com todo o meu amor:
Sofia Abreu Mermelstein
Alice Abreu Mermelstein

AGRADECIMENTOS:

Adriana Berrogain
Alceu Reis
Alegria Mattos
Alexandre Lucas
Alexandre Marrom [Mestre Marrom)
Alberto Renault
Ana Carla Perrotta
Ana Rita Brambilla Vidal
Alana Brambilla Vidal
Alfredo Vidal (in memorian)
André Carneiro
Antonella Pareschi
Antonio Pedro Fortuna
Atílio (cenografo)
Aurélio Dias (in memorian)
Beli Araújo
Bernard Ceppas
Bernardo Bessler
Bernardo Vilhena
Bianca Ramos Rack
Bruno Oliveira e Silva
Carlos Antônio Costa da Silva [Mussum)
César Farias (Bodão)
⁠Che Leal
Cecilia Spyer
Christina Kler
Clebson Teixeira
Diogo Poças
Emily Pirmez
Eugene Ellis
Evaldo Luna
Fabio Braga
Fabio Fonseca
Fernando Torquatto
Flora Byington
Frederico Mendes
Gabriel Guerra
Giancarlo Pareschi (in memorian)
Guga Melgar
Iura Ranevsky
Jefferson Antonio
Jaques Morelenbaum
Jesuina Passaroto
João Elias Alvares
Jorge Perlingeiro
Jose Luis Joels
José Alves
Joze Candido Sampaio de Lacerda Junior
Júlio Borges
Marcelo Aguiar
Laufer
Laura Beatriz Leite – acrescentar - viúva designer capa livro
Luciano “O Black”
Luciano Paschoal Perrotta Neto
Lulu Santos
Luz Guerra
Marcio Gama
Marcelo Barbosa
Marcelo Brasil Perillo
Marcinho Meirelles
Maria Byington
Maria das Graças Sampaio de Lacerda
Marie Christine
Marilda Perrotta
Mariana Libman
Mariana Millon
Mary Olivetti
Mathilda Kovac
Melo Mangueira (Funk’n’Lata)
Michel Bessler
Paschoal Perrotta (in memorian)
Paula Vidal
Paula Toller
Rafael Millon
Regina Casé
Renan Olivetti
Renata Braune
Ricardo Amado
Ricardo Barreto
Renato Luiz
⁠Ricardo Fiuza
Renato Muñoz
Roberto Jeferson [Pato/ Funk’n’Lata))
Rogério Moraes (Orelha/Funk’n’Lata)
Ronaldo Lemos
Rodrigo Pires
Sandra Kogut
Sergio Branco
Severina do Nascimento
Suzana Bello
Thaise Lima
Thiago Gomes
Totonho (Funk’n’Lata)
Tuninho de Paula
Tuto Ferraz
Vera Roesler (in memorian)
Victorya Gabrielle - Bruxa Cósmica
Vinícius Mozer - Unidos da Ponte
Wallace Jeferson
Walmir Araujo
Walter Hack (in memorian)

LIVRO DA LATA 30 ANOS

© Editora de Livros Cobogó, 2025
Direção de arte e Projeto gráfico: Luiz Stein
Coordenação geral: Fernanda Abreu
Editora: Cobogó
Coeditora: Garota Sangue Bom
Produção executiva: Garota Sangue Bom
Gráfica: Leograf
Coordenação de produção: Thais Bernardini
Assistente de produção: Letícia Gomes
Editoração eletrônica: Fernando Grossman
Assistente de editoração eletrônica: Eduardo da Silva
Assistente de design gráfico: Yasmin Siqueira
Fotografia memorabília (produtos): Gabi Carrera
Produtor gráfico: Zé Flávio Chaves
Tratamento de imagem: Matheus Meira
Digitalização de imagens: Estúdio 3 e Thiago Barros — Arte Lab
Fotos - Fernanda Abreu 2025
Fotógrafo: Mateus Rubim
Figurino: Claudia Kopke
Edição de moda: Rogerio S
Beleza: Lais Larcher
Assistente de beleza: Deborah Riete
Assistente de fotografia: Ruan Conceição
Making-of: Yan Marcelo Carpenter
Tratamento de imagem: Nanda Carnevali
Ficha técnica - Figurino
Estamparia: Estampa Alternativa
Alfaiataria: F. Martins Alfaiataria
Adereços: Atelier Fátima Leo

Equipe Garota Sangue Bom

Label manager: Beline Cidral
Marketing digital: Rafael Tex
Redes sociais: Samuel Cardoso
Assessoria de comunicação: Fefa Peres
Assessoria administrativa: Patricia Silva

Equipe Fomentaê

Direção administrativa: Bruno R. Katzer e Maicon Azeredo
Assistente de direção administrativa: Maria Clara Vianna
Coordenação financeira e prestação de contas: Jane Oliveira
Assistente de coordenação financeira: Juliana Lucas Fiuza
Assessoria jurídica: Pedro Genescá (VA)
Design: Gabriela Cima
Assistente administrativa: Vilmara S. Souza

Equipe Cobogó

Editora-chefe: Isabel Diegues
Coordenação editorial: Aïcha Barat
Edição: Aïcha Barat e Julia Barbosa
Revisão: Natália Francis
Gerência de produção: Melina Bial
Revisão final: Marina Saraiva

VINIL DA LATA / 2025

Produção Universal Music

Álbum “Da Lata” original – 1995

Idealizado por: Fernanda Abreu
Produzido por: Liminha (faixas: “Garota Sangue Bom”, “Tudo Vale a Pena”, “Um Dia Não Outro Sim” e “Brasil é o País do Suingue” e “SLA 3”) Will Mowat (faixas: “Veneno da Lata”, “A Tua presença”, “Somos Um” e “Dois”) Chico Neves (faixas: “A Lata” e “SLA 3”) DJ Meme – (faixa: Babilônia Rock) Direção Artística: João Augusto (EMI Brasil)
Coordenação Geral: José Fortes
Gravado nos Estúdios Nas Nuvens e Discover / Rio de Janeiro entre janeiro e março de 1995 Mixado no Soul II Soul Studio em abril de 1995 por” Eugene Ellis, Liminha e Will Mowat Masterizado por: Ricardo Garcia / Magic Master
Capa/ projeto visual:
Direção de Arte e cenografia: Luiz Stein
Fotos: Walter Carvalho
Figurino: Claudia Kopke

Reedição em vinil 2025

Masterizado por: Ricardo Garcia / Magic Master
Adaptação Gráfica da Capa: Luiz Stein
Tratamento de Imagem: Matheus Meira
Finalização e Coordenação Gráfica: Leka Coutinho/ Estudio 3
Revisão de texto: Luiz Augusto (Revendo Texto)
Gerência de Projeto: Alice Soares
Gerência Comercial: Rafael Felix

REMIX “GAROTA SANGUE BOM” / 2025

Remix por: From House to Disco
Bateria eletrônica, sintetizadores e baixo: Livia Lanzoni, Bruna Ferreira Vasconcelos
Cordas e teclados: Antonio Dal Bó
30 anos
por Mauro Ferreira

A assinatura de Fernanda Sampaio de Lacerda Abreu está impressa de forma impagável na história da música pop do Brasil. Pelo menos três vezes, a eterna “garota carioca suingue sangue bom” – caracterização que, embora já clichê, sintetiza com perfeição o perfil da artista – ajudou a escrever novo capítulo nessa história.

Essa história completa 30 anos em 2020 e ganha celebração da cantora e compositora carioca para marcar as três décadas em que Fernanda Abreu apresentou o primeiro álbum solo, Sla radical dance disco club, editado em 1990. São 30 anos redondos de discografia solo que se conserva moderna e jovial como a artista nascida em 8 de setembro de 1961. Uma obra que apontou caminhos para o pop nacional moldado para a pista e para o prazer.

Em essência, Fernanda Abreu faz há 30 anos música para dançar. Para a liberação do prazer no Brasil, país do suingue que, por mais que os conservadores pequem em não aceitar, tem um jeito de corpo todo sensual, com a malícia do povo brasileiro, constituído por mistura de culturas e peles índias, portuguesas, negras. Mistura impressa no DNA da carioca Fernanda Abreu, cria cosmopolita de uma cidade miscigenada como o Rio de Janeiro (RJ).

A história desses 30 anos tem uma pré-história de grande dimensão pop. No fim de 1981, Fernanda Abreu – então uma estudante de sociologia quase diplomada em dança clássica e contemporânea (em formação a rigor iniciada aos nove anos com a entrada em curso de balé) – deixou de ser mais uma na multidão ao ingressar na banda Blitz. Fernanda entrou para a Blitz após ter integrado com o então desconhecido Leo Jaime uma outra banda carioca, a efêmera Nota Vermelha, que, se não deixou rastro, ao menos serviu para fazer Fernanda conhecer Fábio Fonseca, nome fundamental na construção da obra solo da cantora.

A Blitz, para quem não viveu os praieiros anos 1980 de um Rio de Janeiro que já começava a se partir, foi a banda que abriu as portas da indústria fonográfica para o pop rock brasileiro que germinava na areia e nas garagens. A Blitz foi uma brincadeira de amigos que cresceu e absorveu todos os integrantes dessa banda que virou coisa séria já no verão de 1982, com a explosão do compacto com a música “Você não soube me amar”.

Sob a liderança de Evandro Mesquita, compositor e vocalista da banda, Fernanda Abreu era uma das duas backings da Blitz. As garotas que, além de cantar, davam charme àquela banda que dialogava com a estética pop dos quadrinhos com som de verão, bem humorado, irreverente. Uma novidade na época que, como sintetizou Gilberto Gil, deu uma blitz na MPB e a história da música brasileira nunca mais foi a mesma.

Apesar da dimensão grandiosa, toda a saga pop da Blitz, vivida pela cantora entre 1982 e 1986, representou tão somente a pré-história de Fernanda Abreu na música pop brasileira porque foi justamente a partir do fim da banda, em 1986, que a artista começou a delinear solitariamente a assinatura mais pessoal que iria imprimir no pop nacional.

A retomada das aulas de violão e o início das aulas de canto (com o mano Felipe Abreu, requisitado por dez entre dez cantoras do Rio de Janeiro) foram os primeiros passos para a pavimentação de um caminho individual. Solo, mas não sozinha, já que Fernanda começou a se envolver artisticamente com Fausto Fawcett e Carlos Laufer (parceiros que se mantiveram fiéis nesses 30 anos), a cantora começou a arriscar alguns shows enquanto preparava uma fita demo, nome dado então às gravações que serviriam de amostras para produtores e executivos de gravadoras.

Naquele ano de 1989, no qual conheceu o então emergente funk carioca ao ser levada a um baile da pesada por Hermano Vianna, Fernanda já começava a encontrar a própria turma, que inclui o técnico de som Evaldo Luna. Além de Fábio Fonseca, procurado pela artista pela lembrança da boa convivência musical nos tempos da banda Nota Vermelha, a cantora se juntou com Aurélio Dias (baixo), Bodão (bateria) e Fernando Vidal (guitarra) em show de pegada funkeada e roteiro calcado em sucessos da disco music, gênero então desprezado na época.

O show foi a semente do primeiro álbum solo de Fernanda Abreu, Sla radical dance disco club, produzido por Fábio Fonseca com Herbert Vianna, com quem a cantora havia se reencontrado em 1989 quando o Paralama dava forma a um disco de Fausto Fawcett. Ou seja, tudo se conectava como mágica, preparando o clima para o grande salto dado por Fernanda Abreu com o disco gravado em janeiro e fevereiro de 1990 nos estúdios da EMI-Odeon, gravadora que editara os discos da Blitz e que adquirira o passe de Fernanda Abreu em carreira solo (convite feito já em 1987, mas que Fernanda inteligentemente recusou por se saber ainda despreparada para uma carreira solo).

Com Sla radical dance disco club, Fernanda Abreu escreveu mais um novo capítulo na história do pop brasileiro. Simplesmente porque tudo era novo naquele álbum que valorizava com requinte a música de dança, a dance music, a figura então minimizada do DJ como comandante do baile e, sobretudo, o sample, usado de forma pioneira no Brasil pela artista. Hoje, quando tudo já é história, parece corriqueiro. Mas em 1990 a cultura explícita do sample era inédita na discografia nacional.

No posto de coprodutora do disco, atenta a cada detalhe de cada arranjo, Fernanda Abreu não teve medo de samplear, de se apropriar licitamente de referências da música black norte-americana. Não por acaso, a lista de agradecimentos especiais do disco incluía James Brown, Prince e Sly Stone entre os brasileiros Caetano Veloso e Gilberto Gil, entre outros nomes.

A noite é feita para dançar”, sentenciou Fernanda Abreu em A noite, parceria com Luiz Stein e Carlos Laufer que abria o disco, impregnado de ecos da disco music. Outra inovação. Um dos motes de Sla radical dance disco club (evidenciado na regravação de Kung Fu Fighting, hit de Carl Douglas, e na opção de Fernanda e Fawcett para escrever versão em português de Got to be real, sucesso de Cheryl Lynn), o cruzamento esperto da atmosfera da dance music com a pegada aliciante da disco music somente seria feito por Madonna – referência para Fernanda Abreu e para o universo pop – quinze anos depois no álbum Confessions on a dance flor (2005). Já deu para sacar a modernidade e o frescor que pautaram Sla radical dance disco club, né? Esse frescor continua atual após 30 anos. Pergunte a qualquer DJ os efeitos provocados na pista quando se toca a música A noite

Disco que legou a balada Você pra mim, composta pela própria Fernanda Abreu, Sla radical dance disco club reforçou os laços afetivos e profissionais da cantora com Luiz Stein, artista gráfico de atuação determinante na identidade visual dos discos, clipes e shows da artista. Esse laço já tinha sido estreitado nos anos 1980. Fernanda conheceu Stein em 1981, começou a namorá-lo em 1982 e casou com ele em 1983, em pleno apogeu da banda Blitz.

Stein – com quem Fernanda ficou casada por quase 30 anos, tendo gerado com ele as filhas Sofia e Alice – traduziu em imagens inovadoras o som da cantora até o álbum retrospectivo da série MTV ao vivo (2006).Na carreira solo de Fernanda Abreu, som e imagem sempre se conectaram com sofisticação nos encartes dos discos, nos cenários dos shows e nas fotos promocionais da artista.

Essa fina sintonia foi bisada no segundo álbum solo de Fernanda Abreu. Lançado em 1992, Sla 2 – Be sample ampliou o uso do sampler, jogou outros ritmos no fervente caldeirão sonoro carioca, notadamente samba e rap, e reforçou a assinatura da artista na cena musical. É o disco que confirmou a personalidade de Fernanda Abreu e demarcou o território preparado em Sla radical dance disco club.

Produzido por Liminha, com a colaboração de Fernanda e de Fábio Fonseca na coprodução,Sla 2 – Be sample é um disco fervido, essencialmente carioca, embora Fernanda Abreu já fosse um nome nacional desde 1982. Tanto que um dos maiores petardos da artilharia sonora doálbum já explicita a origem geográfica e social no título Rio 40 graus (Fernanda Abreu, Carlos Laufer e Fausto Fawcett, 1992).

Mix de funk, rap e samba flambado na alta temperatura dos sons cozinhados na panela de pressão do Rio de Janeiro (RJ), Rio 40 graus goza do justo status de ter sido eleito um hino informal da “cidade-maravilha, purgatório da beleza e do caos”, versos que sintetizam a dor e a delícia de ser carioca.

O outro clássico de Sla 2 – Be sample é exemplo de como uma intérprete pode imprimir uma assinatura em música alheia e já conhecida se tiver personalidade ao abordá-la. Devota de são Jorge Ben Jor, divindade do samba-rock esquema novo que assombra o universo pop desde 1963, Fernanda Abreu trouxe Jorge de Capadócia (1975) para o universo de Be sample com tanta propriedade que a música se tornou dela, também.

Três anos após Sla 2 – Be sample, Fernanda protagoniza um outro capítulo na história do pop brasileiro. Da lata, terceiro álbum solo da artista, sai em 1995 com um outro som, mixando a batucada do samba com a batida do funk.Produzido por Liminha com Will Mowat, Da lata pôs samba-funk na veia, mostrando o valor da gente bronzeada que sacolejava nos bailes, nas praias e nas periferias com som da pesada. Em 1995, o funk do Rio de Janeiro já era uma cultura acariocada que ia além do Miami Bass dominante na década de 1980. Já havia hits nos bailes da pesada que aglutinavam multidões a reboque dos MCs.

Contudo, para o Brasil que ainda ignorava essa cultura, Fernanda Abreu teve papel importante na propagação do funk em todo o país do suingue. Mas associar Da lata somente ao funk carioca é reduzir o alcance pop planetário de disco que estabeleceu a conexão de Abreu com o produtor suíço Will Mowat e, numa escala em Londres, com o grupo inglês de música black Soul II Soul. Mas sem nunca perder o Brasil da vista desse amplo horizonte musical aberto pela dance music.

O brasileiro é de festa / O brasileiro é de baile”, cravava Fernanda, certeira, em versos de Brasil é o país do suingue (Fernanda Abreu, Fausto Fawcett, Carlos Laufer e Hermano Vianna). Espécie de aquarela brasileira do samba-funk, Brasil é o país do suingue é um dos sucessos deste disco que legou outros hits, em especial Garota sangue bom (Fernanda Abreu e Fausto Fawcett) e Veneno da lata (Fernanda Abreu e Will Mowat).

Disco em que Fernanda Abreu apresentou ao universo pop o então ainda desconhecido Pedro Luís, cantor que militava na cena alternativa carioca desde os anos 1980 e que se tornou parceiro da colega famosa em Tudo vale a pena, Da lata é disco sobre o povo que cai no samba, que dança funk e que mistura samba com funk com a maior naturalidade. Tudo em nome da dança, em nome do prazer.

Por ter ampliado a visibilidade global de Fernanda Abreu, a reboque de turnê feita Brasil afora com direito a escalas internacionais inéditas na carreira da artista, o álbum Da lata foi sucedido dois anos depois com Raio X (1997), espécie de coletânea em que a cantora, em vez de olhar somente para trás, mirou o futuro, apontando outros caminhos para a própria música através de remixes, regravações e registros inéditos. Evolução de ideia mercantilista da gravadora, que sugerira um disco ao vivo recusado por Fernanda, a revisão precoce da carreira solo da garota sangue bom gerou abreugrafia atípica na indústria do disco. Tanto que, mesmo não sendo a rigor um disco de carreira, Raio X tem esse status na discografia da cantora. Merecido, por trazer seis gravações inéditas na voz de Fernanda.

Com produção capitaneada pela própria Fernanda Abreu, Raio X reapresenta a artista revista e ampliada. Produzida por Chico Neves, a gravação inédita do samba-enredo Aquarela Brasileira (Silas Oliveira, 1963), samba-enredo com o qual a escola de samba Império Serrano desfilou no Carnaval de 1964, ajudou a mapear o cenário mais amplo da artista. A expansão da geografia musical de Fernanda motivou o registro de Jack soul brasileiro, música inédita de Lenine que evocava o suingue do Brasil nordestino de Jackson do Pandeiro (1919 – 1982) com o balanço carioca.A música foi feita pelo compositor pernambucano a pedido de Fernanda, ao perceber a conexão de Jackson com a batida do funk e do hip hop em julho de 1996 quando Otto começou a improvisar a Cantiga do sapo sobre base de rap nos bastidores de evento em Nova York (EUA).

Além de apresentar na voz da cantora outra inédita canção romântica de Herbert Vianna (Um amor, um lugar, feita para a artista),Raio X também acusou a permanente ligação de Fernanda Abreu com Fausto Fawcett e Carlos Laufer, compositores de um pioneiro rap carioca, Kátia Flávia, a Godiva do Irajá, regravado por Abreu para o disco em registro formatado pelo DJ Marcello Mansur, o popular Memê.

Trata-se de registro emblemático e significativo, inclusive porque, no disco de 1987 em que Fausto apresentou Kátia Flávia, Fernanda Abreu apareceu pela primeira vez como artista solo, figurando na música Juliette. Já o Bloco rap Rio soou legítimo na voz dessa cantora à altura já reconhecida como espécie de embaixatriz do funk carioca por propagá-lo em redutos onde o gênero ainda não tinha aceitação.

O Bloco rap Rio foi homenagem de Fernanda à música negra brasileira, prestada com participações realmente especiais com a do grupo Planet Hemp (com as presenças de Marcelo D2, Black Alien e BNegão), O Rappa (ainda com Marcelo Falcão e Marcelo Yuka juntos no grupo), Arícia Mess, Jovi Joviniano, Zé Gonzales (atualmente celebrado como integrante do Tropkillaz) e DJ Nuts nas pick-ups.

Efeito das múltiplas conexões musicais feitas por Fernanda Abreu ao longo da turnê internacional do show Da lata, o disco Raio X foi um projeto pautado por encontros que se tornou o título comercialmente mais bem-sucedido da obra fonográfica da artista, tendo gerado turnê igualmente bem-sucedida.

Encerrada a radiografia da década de 1990, Fernanda Abreu entra no século XXI como a encarnação contemporânea de uma entidade urbana, de origem carioca, mas de sotaque já universal porque o mundo já começava a se conectar firmemente nos anos 2000 pelos celulares e pela internet.

Entidade urbana, não por acaso, é o título do quinto álbum solo de Fernanda Abreu, lançado em 2000. Sem perder a alma carioca, tradutora da miscigenação libertária que pauta o som da artista, o disco idealizado por Fernanda versava sobre as afinidades entre as megalópoles do Brasil e do mundo. “Tudo é cidade / É tudo igual / Em qualquer língua / Isso é geral”, resumiu estrofe de Sou da cidade, música de Fernanda, Liminha e Rodrigo Campello que abriu o disco produzido por Liminha com Chico Neves (convidado pelo belo trabalho na produção de algumas faixas inéditas de Raio X).

Em que pese a amplitude global do disco, Entidade urbana resultou enraizado entre as belezas e o caos do Rio de Janeiro. Parceria de Fernanda com Rodrigo Maranhão, revelado por Fernanda através dessa colaboração, Baile da pesada sobressaiu no repertório autoral com rolê democrático por vários pontos da cidade, unindo Zona Norte e Zona Sul sob o manto do suingue da garota carioca, que reverenciava na faixa a memória dos pioneiros DJs Big Boy, Ademir Lemos e Monsieur Limá.

Disco de confirmação, Entidade urbana gravitou, sem fronteiras, em universo musical em que cabia rap, samba, funk e dance. Um disco calcado na modernidade. Mais um.

Quatro anos depois, Fernanda Abreu voltou ao disco com Na paz. A chapa estava cada vez mais quente no Rio. Mas, na imagem da capa do álbum, a cantora já mandava o recado, dizendo que acreditava na flor vencendo o canhão na selva das cidades.

Sexto álbum solo de Fernanda Abreu, Na paz saiu em 2004, com a faixa Eu vou torcer, lembrança de título até então obscuro do cancioneiro de Jorge Ben Jor, eleita como música de trabalho para as rádios.A música tinha sido lançada em 1974, 30 anos antes de ser devidamente apropriada por Fernanda com o aval do compositor.

Neste disco, que marcou a estreia do selo fonográfico da artista, Garota Sangue Bom, Fernanda disparou um míssil pacifista que demarcou mais território musical para a cantora. Produzido por Fernanda com Rodrigo Campello, o álbum Na paz abre com Brasileiro, versão (de Fernanda) para a música do compositor angolano Teta Lando originalmente intitulada Angolê. Jacques Morelenbaum e Eumir Deodato se juntaram na orquestração da faixa, sinalizando a exploração de outros universos musicais. Mas, sim, havia samba e havia funk. Por vezes juntos e misturados, como em Padroeira debochada, outra colaboração da artista com o fiel escudeiro Fausto Fawcett, mas com a adesão de Maurício Pacheco. E, por fim, o apelo: Não deixe o samba morrer, lembrança do samba lançado por Alcione em 1975.

No que depender de Fernanda Abreu, o funk carioca também sempre estará vivo. Ao fazer o primeiro registro ao vivo de show de tom retrospectivo, gravado no Rio de Janeiro (onde mais?) em 2006 para gerar CD e DVD na série MTV ao vivo, a cantora emoldurou o cenário com caixas de som que reproduziram a estética musical dos bailes funks orquestrados pela equipe Furacão 2000 nas periferias cariocas e fluminenses. Um cenário, além de belo, visionário por valorizar uma cultura que ganharia o mundo no fim dos anos 2010.

Lançado na década áurea do DVD como formato audiovisual preferido da família brasileira, o MTV ao vivo de Fernanda Abreu soou como um baile da pesada. Com direito a scratches do DJ Marlboro. E também a uma lembrança do repertório da Blitz. A inclusão no roteiro da balada A dois passos no paraíso, lançada pela banda no álbum Radioatividade (1983), mostrou que Fernanda Abreu sempre esteve em paz com a própria trajetória e que jamais renegou a fase irreverente dos chopes e das batatas fritas.

A edição do DVD MTV ao vivo foi importante por perpetuar som e imagem de show da cantora, conhecida pelo calor das performances ao vivo em apresentações que combinam música e dança com precisão e com requinte visual evidenciado no ótimo acabamento dos cenários e dos figurinos.

Problemas de ordem pessoal, como a separação de Luiz Stein e a morte da mãe (após anos em coma), contribuíram para que tenha havido um hiato de dez anos na trajetória fonográfica da artista. Uma década separa o MTV ao vivo de 2006 do aclamado álbum de músicas inéditas Amor geral, que marcou a volta da cantora ao disco em 2016. Foi um período necessário para que Fernanda pudesse se inteirar dos novos rumos da indústria fonográfica, que passou por processo de transição até se ambientar na área digital que rege atualmente o mercado do disco.

De todo modo, o hiato foi apenas fonográfico e, mesmo assim, foi eventualmente quebrado com gravações da cantora em projetos coletivos como Casa de samba, Samba social clube e Um barzinho, um violão. A rigor, mesmo sem fazer um álbum, Fernanda continuou em cena nesses dez anos.

Encerrada em 2008 a turnê do projeto MTV ao vivo, a cantora criou show intitulado Eletro-acústico e caiu na estrada, apresentando, com pegada mais serena, músicas da própria discografia e das obras de compositores como Chico Buarque, Marina Lima e Michael Jackson, entre outros. Até que veio a inspiração para começar a compor, entre 2012 e 2013, o repertório de Amor geral, álbum de músicas inéditas lançado em maio de 2016.

Disco afetuoso de tom autobiográfico, Amor geral flagrou Fernanda Abreu com o mesmo frescor e modernidade dos álbuns anteriores. E com vigor jovial. Tudo soou novo de novo no disco que aglutinou vários produtores (Liminha, Wladimir Gasper, Rodrigo Campello, Sergio Santos, Tuto Ferraz, Qinho e Gui Marques) sob a direção musical da jovem senhora sangue bom. Na pista, com direito a batidas de house, Fernanda Abreu irmanou mais uma vez samba, funk e ritmos afins.

A presença luxuosa de Afrika Bambaataa – um dos pais norte-americanos do rap (e por extensão do funk carioca) que germinou nos Estados Unidos nos anos 1970 até explodir na década seguinte – na faixa Tambor (Fernanda Abreu, Jovi Joviano e Gabriel Moura), deu moral ao disco e a Fernanda sem que ela precisasse do aval, já lhe concedido pelo público e pelos críticos desde os anos 1990.

Em Amor geral, Fernanda Abreu abriu e renovou parcerias. Sem esquecer os fiéis Fausto Fawcett e Carlos Laufer, autores de Double love / Amor em dose dupla. Com elogiado projeto visual de Giovanni Bianco, vencedor de um Prêmio da Música Brasileira na categoria, o disco rendeu show em que a cantora reafirmou a fina sintonia entre música e dança.

Ainda em cena neste ano de 2020, o show Amor geral precede a grande celebração multimídia orquestrada por Fernanda Abreu para marcar os 30 anos de carreira solo com a satisfação de, nessas três décadas, ter apontado caminhos para o pop do Brasil. Ninguém apaga a assinatura intransferível de Fernanda Sampaio de Lacerda Abreu nessa história.

Amor Geral (A)LIVE
2020

FICHA TÉCNICA

BANDA

Bateria e Programação Eletrônica
TUTO FERRAZ

Baixo
ANDRÉ CARNEIRO

Guitarra
FERNANDO VIDAL

Teclados
THIAGO GOMES

Vocais
ALEGRIA MATTUS

Bailarina
VICTÓRYA DEVIN

EQUIPE

Direção Geral
FERNANDA ABREU

Direção Musical
TUTO FERRAZ

Direção de Arte e Cenografia
LUIZ STEIN (LSD)

Figurinos
ROGERIO S

Coreografia
FERNANDA ABREU e CRISTINA AMADEO

Iluminação
CARLOS FIRMINO

Engenharia de Som
RONALDO LIMA ( PA ) e
AURÉLIO KAUFFMAN (monitor)

Preparação Vocal
FELIPE ABREU

Produção Executiva
PATRICIA SILVA

Diretor de Palco e Roadies
JUNIOR e LANDO

Assistente de Gravação
ERIK LIMA

Direção de Áudio
TUTO FERRAZ

Finalização de Vozes
FELIPE ABREU e MATIAS CORREA

Mixagem
RONALDO LIMA

Masterização
CARLOS FREITAS (CLASSIC MASTER)

Capa e Projeto Gráfico
LUIZ STEIN DESIGN (LSD)
com VICTOR HUGO CECATTO (VHD.COM.BR)

Fotografia
ALEXANDRE CALLADINNI

AGRADECIMENTOS

Paulo Lopez, Igor Lanceiro, Juliana Enriques e toda equipe do Imperator, Alexandra Siqueira, Luiz Oliveira e Glaucio Paiva (SHELL), Paulo Lima, Ana

Tranjan e todo o time da Universal Music, Simon Fuller, BKS Áudio, Laredo Áudio, Know How Productions Iluminação, Saures Dancas, Live Áudio e Iluminação (LED).

Obrigada ao público que compareceu e que infelizmente não pôde entrar no teatro, a todos que participaram da realização desse projeto e ao meu Fã-Clube!

REALIZAÇÃO : GAROTA SANGUE BOM

PATROCÍNIO: SHELL “O RIO TEM ESSA ENERGIA”

DISTRIBUIÇAO: UNIVERSAL MUSIC

Amor Geral (A)LIVE
2020
Amor Geral (A)LIVE
2020